sexta-feira, 4 de junho de 2010

12000 calorias diárias de Phelps


Para pessoa comum, dieta de Phelps é recorde garantido -- de obesidade

Ás da natação consome 12 mil calorias por dia; jantar é pizza e macarrão.
Para sedentários, se alimentar assim renderia uma visita ao hospital.
Michael Phelps, medalha de ouro em comilança
Se você acordasse hoje, fosse almoçar com Michael Phelps e tentasse acompanhá-lo na mesa (já que na piscina está difícil...), provavelmente terminaria o seu dia em uma maca de hospital com indigestão. Se resolvesse continuar a seguir a “dieta Phelps”, o único recorde que bateria seria o de “chegada ao índice de obesidade em menor tempo”.
O menino prodígio dos Jogos Olímpicos de Pequim divulgou em entrevista nesta quarta-feira (13) à rede americana NBC que consome nada menos que 12 mil calorias por dia. Cada vez que ele senta para uma refeição come 4 mil calorias – duas vezes o que os médicos recomendam para uma pessoa comum durante um dia inteiro; ao todo, a alimentação de Phelps leva seis vezes mais calorias do que a de um reles mortal como eu e você.
O café-da-manhã do maior campeão olímpico de todos os tempos começa com dois copos de café e três sanduíches de ovo frito recheados com queijo, tomates, cebolas fritas, alface e maionese. Pensa que acabou? Nada, tem ainda um omelete com cinco ovos, cereais, três pedaços de torradas com açúcar e três panquecas de chocolate.
O almoço é macarrão enriquecido e dois sanduíches de presunto e queijo com maionese em pão branco, acompanhados de bebidas energéticas. O energético volta no jantar, quando Phelps fecha o dia com uma pizza (inteira) e meio quilo de macarrão.
“Comer, dormir e nadar, é tudo que eu faço”, disse o ás da natação. E é tudo o que ele deve fazer, segundo o técnico William Morales Manso, que já treinou o brasileiro Fernando “Xuxa” Scherer e hoje trabalha com medicina esportiva na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Comer bem, dormir bem e nadar bem são as três únicas coisas que um atleta precisa fazer. Se não fizer um desses direito, os resultados não aparecem”, disse ele ao G1.
Manso diz que a aparentemente absurda dieta de Phelps é perfeitamente lógica no contexto da natação competitiva de elite. Isto é, se ele estiver falando a verdade. “Eu nunca digo a verdade quando estou em uma competição. Para quê ensinar ao adversário o que está dando certo? Se estou fazendo muito aeróbico, digo que estou pegando pesado no anaeróbico”, conta.
Mas o treinador explica que consumir 12 mil calorias não é algo acima do esperado se estamos falando de Michael Phelps. “Ele é incrível. Veja quantas vezes ele vai para a piscina por dia, entre eliminatórias, semifinais e finais – e sempre rendendo muito, sempre no limite. Ele precisa de muita caloria e muito carboidrato – muito, muito, muito”, diz Manso.
A natação é um esporte onde o gasto calórico é imenso. Apenas entrar na piscina, sem dar uma braçada sequer, já acelera o metabolismo – que precisa manter os órgãos aquecidos na temperatura mais baixa. Quando o exercício começa, o gasto aumenta. E se estamos falando de uma pessoa que bate recordes mundiais com a mesma facilidade com que come uma pizza inteira à noite, dá para imaginar para onde isso vai.
Agora, o que acontece se você resolver seguir o mesmo cardápio? “A matemática é implacável. Se você consome mais do que gasta isso vira gordura. Não tem jeito”, explica Manso. Comer tudo isso ao longo de alguns dias é uma maneira certeira de ganhar (muitos) quilos a mais. E qual a conseqüência da obesidade? Problemas cardíacos, diabetes, hipertensão e uma morte antecipada. Melhor deixar a macarronada noturna só com Michael Phelps mesmo. “Ele fez por merecer”, diz Manso.

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