quinta-feira, 20 de maio de 2010

Ensino de Física

Videogame que ensina física
11/5/2010
Por Fábio Reynol
Agência FAPESP – Uma espaçonave de tamanho subatômico tem a missão de capturar partículas, identificá-las e com elas montar estruturas atômicas em outro planeta. Essa é parte da missão do Sprace Game , um jogo de computador projetado por físicos do Centro Regional de Análise de São Paulo (Sprace) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) com o objetivo de transmitir conceitos de física de partículas para o público leigo.
O desenvolvimento do videogame foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e é patrocinado pelo Sprace, centro financiado pela FAPESP e que é ligado ao Instituto de Física Teórica (IFT) do campus da Unesp da Barra Funda, na capital paulista.
Na cerimônia de lançamento, realizada na manhã de segunda-feira (10), o professor do Instituto de Física Teórica da Unesp Sérgio Ferraz Novaes, coordenador do Sprace, contou que o jogo faz parte de um esforço de levar aos alunos de ensino médio do país informações atuais sobre física de partículas.
“As informações escolares sobre estrutura da matéria estão defasadas em quase um século”, declarou Novaes através de um sistema de vídeoconferência. O professor falou aos jornalistas a partir do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern), em Genebra, Suíça, onde participa do experimento CMS (Solenoide Múon Compacto, na sigla em inglês).
Para mostrar aos estudantes que os átomos são muito mais do que somente prótons, nêutrons e elétrons, a equipe do IFT enviou a todas as escolas brasileiras do ensino médio cartazes didáticos apresentando as demais partículas subatômicas.
“Porém, os cartazes atingem somente os interessados em física, enquanto que o game alcança muito mais jovens”, afirmou o designer do Sprace Game, Einar Saukas, da Summa Technology+Business, empresa que produziu o jogo. O desenvolvimento do game ficou sob a responsabilidade da empresa Black Widow Games Brasil, com a qual Saukas também está envolvido.
Projetado em linguagem Java, o Sprace Game consegue rodar em qualquer computador com sistemas operacionais Windows, Linus, ou Mac. O programador do jogo, Ulisses Bebianno de Mello, da Black Widow, explicou à Agência FAPESP que há três versões de resolução para que até máquinas um pouco mais antigas possam receber o jogo.
“Conseguimos rodar a versão mais básica em um Pentium 1,3Ghz com 512M de memória RAM, acreditamos que a configuração mínima para o jogo seja essa”, disse Mello. Por funcionar em plataformas enxutas, o Sprace Game pode servir como ferramenta de ensino em escolas e instituições com poucos recursos, necessitando apenas do acesso à internet. O jogo é gratuito e pode ser acessado na página do Sprace: Sprace Game
Em busca de partículas
Ao passar pelas quatro fases do Sprace Game, o jogador tem que capturar com sua espaçonave partículas subatômicas; levá-las a um laboratório para que sejam identificadas; descobrir do que são formadas as partículas compostas chamadas de hádrons e recombinar quarks para formar prótons e nêutrons.
Com eles, o jogador consegue montar núcleos atômicos de hidrogênio e oxigênio, a fim de produzir um recurso fundamental para a colonização do planeta explorado, a água.
Uma das fases mais interessantes é a segunda, na qual o jogador deve encontrar e perseguir a partícula tau e observar o seu decaimento, que é a decomposição em outras subpartículas no fim de seu tempo de vida. São essas subpartículas que o jogador deverá capturar. “Isso ajuda a explicar o conceito do decaimento”, disse Saukas.
O designer revelou que um dos grandes desafios do projeto foi criar um jogo que proporcionasse entretenimento sem perder a precisão científica. “Não podíamos fazer um jogo somente divertido e que tivesse incorreções científicas, nem fazer algo muito preciso e que fosse chato de jogar”, afirmou.
O produto final foi testado e aprovado por alunos do ensino médio participantes do Master Class: Hands on Particle Physics evento internacional cuja etapa paulista foi realizada em fevereiro pela Unesp. “Os estudantes tiveram duas horas para jogar, mas depois desse tempo ainda queriam continuar jogando”, contou Saukas.
O sucesso inicial demonstra o acerto na escolha do jogo eletrônico como mídia para divulgar a física de partículas, segundo acredita o professor Novaes. Para ele, trata-se de conceitos intrincados e que precisam ser repetidos para que sejam assimilados. “Filmes, livros e quadrinhos já foram feitos com esse objetivo, mas o videogame é muito mais eficaz nesse aspecto”, declarou o professor.
Repercussão internacional
O professor da Unesp disse que o Sprace Game já tem despertado o interesse de outros países. Uma versão em inglês está sendo finalizada para dar origem a traduções para outros idiomas.
Pesquisadores e divulgadores científicos da França, Áustria, Portugal, República Tcheca e Estados Unidos entraram em contato com Novaes para conversar sobre o jogo, além de profissionais de divulgação científica da Comunidade Europeia.
O professor Helio Takai, do Brookhaven National Laboratory, de Upton, nos Estados Unidos, que também participou da videoconferência do lançamento do Sprace, afirmou que o jogo poderá reduzir a defasagem do ensino de física de partículas que também existe naquele país.
Como no Brasil, o ensino norte-americano até o nível médio repassa conceitos da física descobertos até o início do século 20. Desde então, experimentos realizados em aceleradores de partículas revelaram que prótons e nêutrons são compostos de quarks, partes ainda menores.
Além dos quarks, que se dividem em seis tipos (up, down, strange, charm, bottom e top), também foram descobertos os léptons (elétron, múon, tau e seus três respectivos neutrinos) e as partículas responsáveis pelas interações forte, fraca e eletromagnética (glúon, W, Z e fóton). Enriquecer os conhecimentos de física de estudantes do ensino médio com essas informações mais atualizadas é o objetivo principal do Sprace Game.
“Aqui nos Estados Unidos, as agências de pesquisa valorizam muito as atividades educacionais. Da mesma forma, no Brasil, iniciativas como o Sprace são uma maneira de retribuir à população os investimentos públicos em pesquisa”, falou Takai na cerimônia de lançamento.
Novaes disse que um colega resumiu o ensino de física nesses termos: “Um professor do século 20 ensina física do século 19 para um estudante do século 21”. Para o professor da Unesp, o Sprace Game procura levar informações contemporâneas para estudantes do século 21, por meio de uma mídia moderna.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Caracterisiticas de alguns elementos do sistema solar


Sol -  Conhecido popularmente como astro-rei , é uma estrela ao redor da qual giram vários planetas, asteróides e cometas, formando o que conhecemos como Sistema Solar. Ele é essencialmente uma bola de gás muitíssimo quente e grande. Sua temperatura superficial é elevadíssima, da ordem de 6 000 ºC. Seu diâmetro é de aproximadamente 1 400 000 km, o que equivale  a mais de 100 vezes o diâmetro da terra.
Mercúrio – No céu, só é possível observá-lo perto do Sol, próximo ao amanhecer ou ao pôr-do-sol. Ele é aproximadamente do tamanho da nossa Lua e é o planeta mais próximo do Sol, quase três mais perto do que a Terra. É considerado um planeta pequeno, menor do que a Terra cerda de duas vezes e meia. Mercúrio gira em torno de si em 59 dias terrestres e, portanto, sua rotação é bem mais lenta do que a da Terra. Mercúrio da uma volta em torno do Sol em 88 dias e é o mais rápido dos planetas. É isso que ele recebeu  este nome, baseado na mitologia romana, que significa “o rápido mensageiro dos deuses”. A temperatura de Mercúrio chega a variar de 430 ºC (lado iluminado pelo Sol) a-180º C (lado oposto ao iluminado). Mercúrio possui uma camada muita fina de atmosfera e sal superfície é semelhante ao solo lunar, bastante rochosa, com crateras  provocadas por choques de objetos como meteoritos e asteroides
Vênus – No céu, é conhecido como estrela-d’alva, mais é um planeta. Só é possível observá-lo próximo ao Sol, ou seja, pouco antes do amanhecer ou pouco de depois do pôr-do-sol. Está localizado entre as órbitas de Mercúrio e da Terra. Fica cerca de uma vez e meia mais perto do sol do que a Terra. Tem quase o mesmo diâmetro do nosso planeta. Possui uma temperatura bastante elevada (470 ºC) devido à  presença de muitos gases- estufa em sua atmosfera. Vênus demora  quase o mesmo tempo para girar em torno de si e em torno do Sol, gastando 243 dias no movimento de rotação ( para dar uma volta em torno de si) e 225 dias na translação ( para dar uma volta completa em torno do Sol). Na mitologia romana, é conhecido como a deusa do amor e da beleza, já que é o astro mais brilhante do seu noturno após a Lua.
Terra – Nosso planeta é constituído predominantemente de matéria sólida, apesar de apresentar substâncias líquidas nos oceanos e no núcleo e gás na atmosfera. Seu diâmetro tem cerca de 12 800 km, mais de três vezes o tamanho da Lua e mais de 100 vezes menor do que o Sol. Situada após Vênus, a cerca de 150 000 000 km do Sol, a Terra demora mais de 24 horas para dar uma volta em torno de si (1 dia) e cerca de 365 dias e 6 horas para dar uma volta completa em torno do Sol, o que chamamos de ano, referente ao movimento de translação da Terra. Na mitologia romana, a Terra era Tellus, o solo fértil, a deusa da Terra. Na mitologia grega, a Terra era a deusa Gaia, que quer dizer “Terra mãe” devida à grande abundância de vida.
Lua -  Nosso único satélite natural possui uma série de crateras, por isso seu aspecto menos regular, principalmente quando observado por um binóculo ou telescópio, o que deu origem à associação popular da Lua com o queijo. A distância da Terra à Lua é cerca de 400 vezes menor do que a distância da Terra ao Sol. Possui um diâmetro entre três e quatro vezes menor do que o diâmetro da Terra e sua temperatura é baixa, já que possui uma atmosfera muito rarefeita. Os movimentos de rotação e translação da Lua são sincronizados; isto significa que este satélite demora o mesmo tempo para dar uma volta completa em torno da Terra e em torno de si mesmo. Este tempo é de aproximadamente de 28 dias, tempo do ciclo das fases da Lua. A Terra não é a única a ter um satélite natural. Todos os planetas após a Terra têm satélites. Assim, apenas Mercúrio e Vênus não possuem satélites naturais.
Marte -  Tem aproximadamente o dobro do diâmetro da Lua e cerca de metade do diâmetro da Terra. É o quarto planeta na ordem de distância do Sol, com uma vez e meia  a distância  da Terra  do Sol. A partir de Marte, todos os planetas têm temperatura média negativa. No caso de Marte, sua temperatura média é de -23 ºC. Marte tem a duração do dia mais parecida com a da Terra, demorando 24,6 horas para dar uma volta em torno de si. Já a duração do ano é quase o dobro do ano da Terra, demorando 687 dias para dar uma volta completa em torno do Sol. Na mitologia romana, é conhecido como o deus da guerra devido à sua cor avermelhada.
Ceres – Situado entre as órbitas de Marte e Júpiter, Ceres é um dos asteróides que compõe o cinturão de asteróides. Quando descoberto, foi considerado um planeta. Apenas quando se começou a encontrar outros asteróides na mesma região é que se percebeu que Ceres não era um planeta, mas o maior asteróide deste grupo. Possui quase 1 000 km de extensão, entre 3 e 4 vezes menor do que a Lua, cerca de 13 vezes menor do que a Terra e pouco menor do que Caronte (Lua de Plutão).
Júpiter -  Conhecido por suas grandes dimensões, é o maior planeta do Sistema Solar. É conhecido na mitologia romana como o deus principal, o rei dos deuses. Possui mais de 11 vezes o tamanho da Terra e é quase 10 vezes menor do que o diâmetro do Sol. Sua temperatura média é de cerca de -150 ºC. Na ordem dos planetas, é o quinto mais distante do Sol, cerca de cinco vezes mais longe do que a Terra. Júpiter gasta 9,8 horas para dar uma volta em torno de si, ou seja, o dia jupiteriano tem menos de 10 horas,  pouco mais do que uma boa noite de sono dos humanos. Mas tem um ano muito maior (quase 12 vezes mais) do que o nosso, demorando 4 333 dias para dar u8ma volta completa em torno do Sol. Além de muitos Satélites naturais, Júpiter também possui anéis, menos conhecidos, pois brilham cerca de 100 vezes menos do que os anéis de Saturno .
Saturno -  Também pertence à turma dos gigantes, apenas um pouco do menor que Júpiter. Na mitologia romana, é conhecido como o pai de Júpiter e deus do cultivo e da agricultura. Sua temperatura também é bastante baixa: -180 ºC .È o sexto planeta em distância do Sol, quase  10 vezes mais distante do que a Terra. Saturno demora 10,2 horas para dar uma volta em torno de si, resultando num dia pequeno se comparado aos nossos, 10.759 dias (quase 30 vezes mais do que a Terra, ou seja, o equivalente a quase 30 anos terrestres) para dar uma volta completa em torno do Sol. Saturno é um planeta bastante conhecido pelos anéis, embora não seja o único a tê-los. Todos os planetas gasosos( Júpiter,Saturno, Urano e Netuno) possuem anéis, além de algumas luas.  
Titã – Uma das 30 luas de Saturno, a maior delas. Tem diâmetro maior do que o planeta Mercúrio e cerca de uma vez e meia o diâmetro da nossa Lua. Na mitologia grega, os titãs eram uma família de gigantes, filhos de Urano e Gaia ( Terra). Eles queriam se apoderar do céu, mas foram derrotados pela família  de Zeus ( Júpiter para os romanos).
Urano – Também é considerado um planeta gasoso, com diâmetro 4 vezes maior do que a Terra, o sétimo em ordem de distância do Sol, o oitavo em termo de distância ao Sol, quase 20 vezes mais distantes do que a Terra. Pela grande Distância ao Sol, possui uma temperatura bastante baixa: -210 ºC. Urano, assim como Vênus, possui a rotação invertida  em relação aos demais planetas e gasta 17,9 horas para dar uma volta em torno de si e pouco mais de 30 000 ( mais de 80 anos terrestres) para dar uma volta completa em torno do Sol. Na mitologia romana, é conhecido como pai de Saturno, o deus do céu e das alturas.
Netuno -  Seu diâmetro é pouco menor do que Urano; sua temperatura também é um pouco menor: -220 ºC. Netuno gasta cerca de 19 horas para dar uma volta em torno de si e,devido à sua grande distância do Sol, o oitavo em termos de distância, 30 vezes mais distante do que a Terra, demora mais de 60 000 dias (mais de 160 anos terrestres) em seu movimento de translação. Por sua bela cor azulada, Netuno, na mitologia romana, é considerado o deus dos oceanos.
Plutão – Hoje, Plutão é conhecido como planeta –anão. Após a recente descoberta de Eris, também conhecido como Xena, um asteróide de tamanho pouco maior do que Plutão, gerou-se grande discussão entre os astrônomos, sendo necessário uma nova definição de planeta, adotada em 2006 pela União Internacional de Astronomia (UAI): para um objeto ser considerado planeta, precisa orbitar o Sol, ter forma esférica e ter limpado os arredores de sua orbita. Tanto Plutão como Eris (Xena) falharam neste último quesito. Assim, Plutão que durante mais de 70 anos foi considerado um planeta, hoje é considerado apenas um integrante importante de uma família de corpos menores. Assim como ocorreu com Ceres Plutão perde seu status de planeta.
Algumas características físicas, como seu diâmetro, já haviam levantado a hipótese de Plutão não ser um planeta. O diâmetro deste astro é menor do que a nossa Lua e entre 5 e 6 vezes menor do que a Terra. Sua temperatura, devido à grande distância do Sol, quase 40 vezes mais longe do que a Terra, é de cerca de -218 ºC. Plutão gasta mais de seis dias em seu movimento de  rotação e quase 250 anos terrestres ( mais de 90 000) para realizar seu movimento em torno do Sol. Por causa de sua enorme distância e pela dificuldade de observação, Plutão fiocu conhecido, na mitologia romana, como deus do submundo.
Caronte – Satélite natural de Plutão. Tem dimensões pequenas: um pouco maior do que Ceres, metade de Plutão, cerca  de  11 vezes menor do que a Terra e 3 vezes menor do que a nossa Lua. Está localizado a 20 000 km de Plutão. Caronte não passeia pelo céu de Plutão, como a nossa Lua- ele está sempre no mesmo ponto do céu de Plutão.
Eris-(Xena) Recém -descoberto este planeta-anão é um pouco maior do que Plutão e recebe, ate o momento,  o título de maior planeta-anão do nosso Sistema Solar. Eris leva cerca de 560 anos terrestres para dar uma volta em torno do Sol, e ainda não se sabe sobre seu período de rotação. Sua temperatura é estimada em cerca de -240 ºC. Este corpo celeste esta a uma distância tanto grande tanto do Sol quanto da Terra: mais do que o dobro da distância de Plutão

Meus agradecimentos aos alunos Rafael e Bruna, pela digitação desse material!!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Promover o consumo de frutas legumes e verduras

12 passos para uma alimentação saudável!!!

Serpentes na Serra

Agência FAPESP – Durante 30 meses, o biólogo Paulo Afonso Hartmann percorreu de maneira lenta e persistente trilhas no trecho norte da Serra do Mar. O objetivo foi buscar serpentes para fazer um levantamento das espécies desse grupo que habitam a região.
O trabalho fez parte de seu doutorado, concluído em 2005, e integrado ao Projeto Temático “História natural, ecologia e evolução de vertebrados brasileiros”, apoiado pela FAPESP e coordenado pelo professor Márcio Roberto Costa Martins, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), orientador de Hartmann.
Em dois artigos publicados no fim de 2009 nas revistas Biota Neotropica e Papéis Avulsos de Zoologia da USP, Hartmann, hoje professor no campus de Erechim (RS) da Universidade Federal da Fronteira Sul, reuniu resultados importantes daquela pesquisa e que ainda não haviam sido divulgados.
O pesquisador estudou separadamente duas regiões da serra: o Núcleo Picinguaba, com altitudes que vão de 0 a 200 metros acima do nível do mar, e o Núcleo Santa Virgínia, entre altitudes de 800 a 1.200 metros. Ambas as áreas pertencem ao Parque Estadual da Serra do Mar.
Cada região contou com 15 meses de observações e coletas, totalizando dois anos e seis meses, período em que foram registradas 24 diferentes espécies de serpentes no Núcleo Picinguaba e 27 no Núcleo Santa Virgínia, em um total de 39 espécie e 430 animais encontrados.
Seus resultados puderam ser comparados com os de outro trabalho, realizado por Otávio Augusto Vuolo Marques, pesquisador do Instituto Butantan, que em seu doutorado, em 1998, fez um levantamento semelhante na porção sul da Serra do Mar paulista, na Estação Ecológica Juréia-Itatins.
Uma das conclusões mais surpreendentes do trabalho, segundo Hartmann, foi a similaridade das populações de serpentes de Picinguaba e de Juréia-Itatins.
“Mesmo distando cerca de 400 quilômetros da Juréia, o Núcleo Picinguaba tem mais espécies em comum com esse trecho do que com o Núcleo Santa Virgínia que fica a apenas 20 quilômetros de lá”, disse à Agência FAPESP.
Picinguaba e Juréia têm 19 espécies em comum, de acordo com os levantamentos, e somente 14 foram encontradas simultaneamente nos Núcleos de Picinguaba e Santa Virgínia.
Para Hartmann, esse resultado indica que a altitude e a temperatura são fatores importantes para que determinadas espécies se estabeleçam em um ambiente.
“Aparentemente, a temperatura tem um papel mais importante do que a incidência de chuvas na ocorrência e atividade de algumas espécies nesta região”, afirmou.
Sinal de degradação
No Núcleo Santa Virgínia, algumas serpentes típicas do Cerrado, como a cascavel (Crotalus durissus), foram encontradas dentro da área da floresta. Segundo Hartmann, isso é um possível sintoma da degradação tanto da vegetação do Cerrado como da Mata Atlântica.
Localizado no alto da serra, o Núcleo de Santa Virgínia compreende uma zona de transição entre as duas vegetações, o que facilita a migração das serpentes. “Animais de hábitos generalistas podem ser favorecidos pelo desmatamento nas bordas do parque, permitindo o aumento de sua distribuição para locais anteriormente florestados”, explicou.
Outra contribuição importante do trabalho foi a descoberta de duas espécies ainda não catalogadas na literatura especializada. Cada uma foi encontrada em uma das regiões da pesquisa e estão agora em processo de descrição.
A jararaca (Bothrops jararaca ) foi a espécie mais frequente nas duas áreas estudadas. Além dela, o pesquisador encontrou uma incidência maior da jararacuçu (Bothrops jararacussu) e da cobra-cipó (Chironius fuscus) no núcleo de Picinguaba. Já em Santa Virgínia, além da jararaca, foram avistadas muitas jararaquinhas (Xenodon neuwiedii) e cobras-verdes (Liophis atraventer). Hartmann também teve dois encontros com uma espécie extremamente rara, a Uromacerina ricardinii.
As serpentes encontradas foram inicialmente observadas para o registro de seu comportamento. Em seguida, exemplares foram capturados para medição, pesagem e fotografias. Nessa etapa ocorreu também a identificação dos sexos dos animais que, depois, foram devolvidos ao ambiente.
Os exemplares encontrados mortos, por atropelamento ou mortos por moradores locais, foram coletados e submetidos a exames de conteúdo estomacal e de gônadas, para averiguar a dieta e se estavam em período reprodutivo.
Segundo Hartmann, a pesquisa contribuiu para elaboração de estratégias de conservação da Serra do Mar, ao fornecer bases que poderão ser comparadas em futuros estudos e detectar se as espécies vão ampliar a distribuição ou desaparecer, por exemplo.
Isso não pôde ser feito em seu estudo justamente por ele ter sido o pioneiro nesse tipo de levantamento para as regiões amostradas. “Por incrível que pareça, ainda somos carentes de informações sobre a ecologia das espécies de serpentes da Mata Atlântica, mesmo estando localizada na região Sudeste, onde é realizada a maior parte da produção científica do país, destacou”.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Exercícios e envelhecimento

Agência FAPESP – O tecido adiposo não é visto por especialistas apenas como um simples reservatório energético, mas também como um órgão endócrino, uma vez que secreta um número elevado de substâncias metabolicamente importantes.
Um novo estudo concluiu que a prática de exercícios físicos, mesmo que moderada, pode não só melhorar a composição corporal no processo de envelhecimento como também modular a ação endócrina do tecido adiposo.
Coordenado pela professora Cristina das Neves Borges Silva, na Universidade Cruzeiro do Sul, a pesquisa acompanhou 54 mulheres na capital paulista, entre janeiro de 2009 e janeiro de 2010. O trabalho teve apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.
As voluntárias foram divididas em quatro grupos. Um com mulheres na faixa de 20 anos de idade e outro na faixa de pouco mais de 50 anos, todas sedentárias. Os outros dois grupos também eram formados por mulheres jovens e de meia-idade de faixas etárias similares, só que todas praticantes de atividades físicas de baixa intensidade.
Por meio das diferenças em idade, a pesquisadora buscou avaliar os efeitos do tempo sobre o corpo. Ela destaca que o envelhecimento resulta em uma série de alterações hormonais, além de um aumento no volume do tecido adiposo e nas concentrações de substâncias como as citocinas, consideradas pró-inflamatórias, por mediarem processos de inflamação no organismo.
“Em idosos, as inflamações são causadoras de diversas patologias crônicas”, disse Cristina à Agência FAPESP. Por esse motivo, a atividade endócrina do tecido adiposo tem relação com a qualidade de vida dos indivíduos idosos.
No estudo, exames de sangue periódicos indicaram quais substâncias tinham concentrações alteradas pelo envelhecimento ou por exercícios físicos e quais se mantiveram independentes da influência desses fatores.
O grupo de meia-idade com treinamento físico apresentou redução no colesterol, enquanto o grupo sedentário de idade equivalente sofreu aumento na taxa de glicose.
A leptina, relacionada ao controle da massa corpórea, também foi encontrada em quantidades menores nos grupos que se exercitavam. “Quanto maior a massa corpórea, maior a concentração desse hormônio”, disse Cristina. Mais de 95% dessa substância encontra-se no tecido adiposo.
Sedentarismo e glicose
Além dos exames de sangue, o grupo de pesquisa colheu outros indicadores de saúde, como medições das circunferências de quadril, cintura e abdômen, além do índice de massa corporal (IMC) e da massa corporal gorda (MCG).
Para as mulheres mais velhas, os impactos da falta de exercício foram mais visíveis. O grupo apresentou aumentos de IMC, de MCG e das três medidas de circunferência.
Por outro lado, o grupo de mulheres de mesma faixa etária que se exercitou durante a pesquisa apresentou redução desses mesmos índices. “Foi interessante notar essas mudanças mesmo quando a atividade física se restringiu a apenas duas horas por semana”, afirmou Cristina.
O trabalho também identificou substâncias que não sofreram alterações motivadas pela idade nem pelos exercícios físicos. É o caso da adiponectina, que entre outras funções é responsável pela regulação da glicemia. O fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), um dos principais mediadores da inflamação da pele e das mucosas, e a interleucina-6 (IL-6), que possui um importante papel na regulação no sistema imunológico, também não se alteraram.
“A pesquisa concluiu que o treinamento regular de baixa intensidade tem um papel regulatório importante sobre o metabolismo energético e sobre alguns marcadores inflamatórios e metabólicos”, disse Cristina. O que colocaria a atividade física como um importante fator de influência sobre a saúde dos idosos, especialmente em relação às patologias e problemas ocasionados pelas secreções hormonais.
Segundo a pesquisadora, os resultados da pesquisa se juntam aos de trabalhos anteriores que verificaram outros benefícios da atividade esportiva no envelhecimento, como a diminuição da mortalidade em geral, a redução da massa corporal por promover um balanço energético negativo, a melhora da composição corporal, a utilização de glicose e do perfil lipídico, o aumento da capacidade aeróbia e a diminuição da resistência vascular.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Olimpiada Brasileira de Astronomia - Orientações Práticas

Carrapato estrela

 
Febre maculosa
Febre maculosa brasileira é uma doença transmitida pelo carrapato-estrela ou micuim da espécie Amblyomma cajennense infectado pela bactéria Rickettsia rickettsii. Esse carrapato hematófago pode ser encontrado em animais de grande porte (bois cavalos, etc.), cães, aves domésticas, roedores e, especialmente, na capivara, o maior de todos os reservatórios naturais.

Transmissão
Para haver transmissão da doença, o carrapato infectado precisa ficar pelo menos quatro horas fixado na pele das pessoas. Os mais jovens e de menor tamanho são vetores mais perigosos, porque são mais difíceis de serem vistos.
Não existe transmissão da doença de uma pessoa para outra.

Distribuição
No Brasil, há casos de febre maculosa nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Pernambuco, mas não é impossível que ocorram em outros lugares.

Vacina
Não existe vacina contra a febre maculosa brasileira.

Sintomas
Quando a bactéria cai na circulação causa vasculite, isto é, lesa a camada interna dos vasos (endotélio). Os primeiros sintomas aparecem de dois a quatorze dias depois da picada. Na imensa maioria dos casos, sete dias depois.
A doença começa abruptamente com um conjunto de sintomas semelhantes aos de outras infecções: febre alta, dor no corpo, dor da cabeça, inapetência, desânimo. Depois, aparecem pequenas manchas avermelhadas, as máculas, que crescem e tornam-se salientes, constituindo as maculopápulas.
Essas lesões podem apresentar o componente petequial (petéquia é uma pintinha hemorrágica parecida com uma picada de pulga) e, às vezes, ocorrem pequenas hemorragias subcutâneas no local das maculopápulas petequiais.
A erupção cutânea é generalizada e manifesta-se também na palma das mãos e na planta dos pés, o que em geral não acontece nas outras doenças exantemáticas (sarampo, rubéola, dengue hemorrágico, por exemplo).

Diagnóstico
A reação de imunofluorescência indireta (RIFI) é um exame específico para o diagnóstico da febre maculosa brasileira. No entanto, não se deve esperar pelos resultados porque demoram. Por isso, é fundamental considerar os achados clínicos e os dados epidemiológicos da doença, que tem a peculiaridade de causar micro-epidemias.
Diagnóstico precoce é importante para dar início ao tratamento porque a taxa de letalidade da doença é elevada.
Casos de febre maculosa brasileira são de notificação compulsória ao serviço de vigilância epidemiológica.

Tratamento
A febre maculosa brasileira tem cura desde que o tratamento com antibióticos (tetraciclina e clorafenicol) seja introduzido nos primeiros dois ou três dias. O ideal é manter a medicação por dez a quatorze dias, mas logo nas primeiras doses o quadro começa a regredir e evolui para a cura total.
Atraso no diagnóstico e, conseqüentemente, no início do tratamento pode provocar complicações graves, como o comprometimento do sistema nervoso central, dos rins e pulmões, das lesões vasculares e levar ao óbito.

Recomendações
· Evite o contato com carrapatos. Se, por acaso, estiver numa área em que eles possam existir, tome as seguintes precauções:
a) examine seu corpo cuidadosamente a cada três horas pelo menos, porque o carrapato-estrela transmite a bactéria responsável pela febre maculosa só depois de pelo menos quatro horas grudado na pele;
b) use roupas claras porque facilitam enxergar melhor os carrapatos;
c) coloque a barra das calças dentro das meias e calce botas de cano mais alto nas áreas que possam estar infestadas por carrapatos.

· Tenha cuidado ao retirar o carrapato que estiver grudado em sua pele;
. Não se esqueça de que os sintomas iniciais da febre maculosa são semelhantes aos de outras infecções e requerem assistência médica imediata. Esteja atento ao aparecimento dos sintomas comuns a vários tipos de infecção e procure um médico para diagnóstico diferencial.

multi 1 ano

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